Vi-me tentada a questionar. O tempo passa... E em segundos umas particulas desfalecem, outras renascem. Daí as visíveis mudanças. Nem todas são más. Ou nenhuma será... Mas, apenas a complexidade humana poderá ditar tal conclusão.
Incríveis são as manhãs solarengas, com os pássaros a cantarolar. Mas são também, aquelas escuras, irradiadas por chuva. Aconchegantes.
Incrível é também, o poder que exercemos sobre uma pequena acção. Chamo-lhe imortalização.
Refiro-me, sim, a um olhar lânguido que perfura multidões. Um sorriso trémulo que dissipa corações. E, refiro-me também, aos pequenos momentos a sós.
Correm muito além de um sonho. Conseguem ser superiores a qualquer filme imaginário possível. São estes, em que somos realmente reais. Apenas assim enfrentamos a verdadeira realidade: o mundo.
Estamos agarrados a um grande pedaço de nada. A partir do momento em que nos é cortado o cordão umbilical, apenas há uma ligação absolutamente indispensável – com o mundo exterior. Não alguém em particular, mas sim um todo. Por isso digo e sinto-o.
No fim, a maior ligação, é a que tenho comigo. O dia estava chuvoso, ainda assim alegre. Eu estava alegre. Senti-me incrivelmente alimentada pela àgua fria. Tocava-me a pele. A junção do frio com a minha epiderme aquecida, causava um fervor agradável.
As pessoas correm ao longo as ruas, atarefadas. Fogem da chuva. Escondem-se.
Encontro-me só, no meio da chuva, a andar a um passo anormalmente lento. O ecrã do telemóvel está encharcado, de tal modo que não consigo ler o que escrevo. O cabelo pinga, os pés chapinham. Tudo passa tão rápido. Passam carros a uma velocidade assustadora – como se eu vivesse num filme – fazendo as rodas rolar sobre poças, formam-se ondas... estas batem, sem ponta de vergonha, nas minhas pernas e barriga. E eu não me importo. Em segundos estou em casa. Não estava a sonhar. Nem estou a exagerar. A intensidade com que se pode viver um dito simples momento é incrível. Ainda assim, sei que não estava sozinha.